Internet: 18 anos como ninguém imaginou

Como a internet mudou as nossas vidas de 1995 até aos dias de hoje na análise de directores de informação e opinion leaders parceiros do SAPO.

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Ricardo Costa

Diretor do Expresso

O poder da informação

Ricardo Costa

Em tempo de aniversário, ainda por cima o primeiro da maioridade, deixo aos outros essa passagem em revista. Haverá seguramente quem saiba tudo sobre como nasceu o Sapo, como o acrónimo passou a fazer parte das nossas vidas, sobre quem inventou o bicho verde que ainda passa por nós a correr. Deixo também a outros a história dos progressos tecnológicos, de como a internet se massificou, passou do cobre ao 4G e ao LTE. Deixo também a quem sabe, a análise do que mudou nas nossas vidas, de como a tecnologia as melhorou ou condicionou, de como tempo e distância passaram a ser variáveis muito mais controláveis.

Deixando tanto aos outros, o que me resta para este texto? Resta-me tentar apontar (ou adivinhar) algum caminho para o elemento que mais se expandiu com estas transformações: a informação. Nestes 18 anos de Sapo houve uma chuva de informação. Aquilo que era propriedade dos meios tradicionais, ou que pessoas e grupos faziam circular em meios restritos ou limitados, passou a estar à mercê de qualquer um, em quantidades nunca vistas e a qualquer hora. Mais recentemente, também em qualquer lugar.

Este processo é imparável e constitui um enorme desafio para quem produz informação de forma profissional ou a agrega. Porque precisarão as pessoas de jornais tradicionais, de televisões, rádios, sites especializados ou agregações quando conseguem encontrar quase tudo em motores de busca ou em redes sociais, com a vantagem de tudo lhes ter sido enviado por amigos? Não há uma resposta segura para esta pergunta. Mas isso não é um problema, é um desafio.

Hoje trabalhamos para pessoas com cada vez mais informação ao seu dispor. Muitas delas vão desligar-se de marcas e intermediários. Mas muitos outros não vão fazer. Vão, isso sim, aumentar o grau de exigência. Vão querer uma informação segura, explicativa, plural, com opinião forte. Na era da informação, este é o único poder da informação profissional.  Um poder de exigência, que requer em simultâneo segurança e rapidez, que obriga a trabalhar para meios tradicionais e para dispositivos móveis, que pede vários ritmos de narrativa. Não sei que novos dispositivos móveis vão ser inventados ou a que velocidade os dados vão correr. Provavelmente vão continuar a espantar-nos todos os dias. Mas sei que a informação terá um lugar nessas novidades. E é bem provável que um sapo também ande por lá.

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